O amor azedou?
Seu destino é o ralo da pia.
Se fosse o leite,
daria uma bela coalhada.
Mas, amor desandado tem jeito não.
Resta o consolo de pensar
que não era realmente amor,
apenas um similar,
com prazo de validade mais ou menos longo
e incômodos efeitos colaterais.
Tudo indica que,
como a catarata
ou problema na próstata,
que mais dia menos dia acabam aparecendo,
até mesmo o amor pra valer,
sob certas condições de temperatura e pressão,
um dia desses pode virar vinagre.
Basta, talvez, se (con)viver por muito tempo.
Mas isto não invalida a busca.
Para quem sofreu a perda,
nada de pensar em vingança!
(o que só provaria que seu afeto
também não era lá grande coisa.)
Continue amando, sem mágoa.
Apenas reclassifique suas expectativas
e deixe o tempo fazer sua obra.
Vale mesmo chorar, tomar todas,
se você é desses de encher a cara.
Está bem: meio puto da vida, mas sem ódio!
Até se aceita uma depressãozinha.
De leve.
Nada muito radical.
Depois de curtir o luto,
antes que se torne um chato,
tome um longo banho morno,
deixe a tristeza sumir no redemoinho a seus pés,
abra novamente as janelas
e veja que lá fora a vida não parou de fluir
e nem se deu conta de que você andou na pior.
Corra pra reassumir seu espaço!
Encare a cósmica realidade:
o mundo cagou e andou pra sua dor de corno.