Cambaxirra Há dias que nascem com peso de chumbo e gosto de azinhavre, prometendo dores nas costas, falando de contas a pagar e ameaças de fim do mundo. Aí, a pequenina cambaxirra, a mais humilde das avezinhas urbanas, pousa na janela do quarto, toda serelepe, de bem com a vida, catando formigas, sementes, sei lá o quê mais, e, entre um pulinho e outro, me olha assim, meio de lado, e lança seu trinado alegre, dobrado, triplicado, inspirada como se fora um refinado canário belga ou algum outro cantor de escol. Parece me dizer: "-Desfaz essa cara de luto, seu bobalhão de uma figa!...". Então, esfrego os olhos, me espreguiço investigo novamente o céu, e percebo que as nuvens não são assim tão densas, e que, naquele pedaço mais escuro, pros lados da serra, que há bem pouco prometia muita chuva, agora já se vê um promissor pedacinho do azul.
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