Edgar de Macedo Fonseca

Currículo

Gravador.  Edgar de Macedo Fonseca (Rio de Janeiro RJ 1952) faz curso de gravura, de 1975 a 1980, na Escola de Belas Artes da UFRJ, e torna-se assistente de Adir Botelho. Com José Lima, estuda gravura em metal em 1977. No ano seguinte, tem aulas de gravura em pedra com Quaglia. Entre 1980 e 1981, estuda litografia com Antônio Grosso. Monta o Ateliê Grapho, onde ensina gravura ao lado de Rubem Grilo. Leciona litografia na Fundação Cultural de Salvador, em 1980, na EAV/Parque Lage, de 1981 a 1985, e no Museu da Gravura de Curitiba, entre 1985 e 1986. Em 1996, cria e organiza o Salão Sesc de Gravura, na Galeria Sesc Copacabana, Rio de Janeiro. Participa de exposições como Coletiva de Gravuras e Desenhos, na Galeria Macunaíma, Rio de Janeiro, 1977; Salão Comunitário de Artes Plásticas da Universidade Federal Fluminense, Niterói, 1980; Salão da Primavera, no MAM/Resende, 1984; Mostra de Gravura Cidade de Curitiba, 1984; Litografia: 200 Anos, na Galeria Sesc Copacabana, Rio de Janeiro, 1998; Rio Gravura. Circuito Sesc de Gravura, na Galeria Sesc São João do Meriti; Onde Se Aprende, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian; e Trajetória: 46 anos de ensino de gravura, na EAV/Parque Lage, Rio de Janeiro, 1999.

 

CRONOLOGIAS

NASCIMENTO

1952 - Rio de Janeiro RJ - 30 de março

FORMAÇÃO

1975/1980 - Rio de Janeiro RJ - Faz curso de gravura na Escola de Belas Artes da UFRJ

1977 - Ouro Preto MG - Freqüenta curso de gravura em metal no 11º Festival de Inverno

1978 - Ouro Preto MG - Curso de Litografia no 12º Festival de Inverno

1980/1981 - Rio de Janeiro RJ - Curso de litografia na EAV/Parque Lage

1996 - Novo México (Estados Unidos) - Curso de especialização em litografia com Garo Strassian no Tamarind School

ATIVIDADES EM ARTES VISUAIS

Gravador

1979/1980 - Rio de Janeiro RJ - É assistente da cadeira de gravura na Escola de Belas Artes da UFRJ

1981/1985 - Rio de Janeiro RJ - É professor de litografia na EAV/Parque Lage

1980 - Salvador BA - Professor de litografia na Fundação Cultural de Salvador

1985/1986 - Curitiba PR - Professor de litografia no Museu da Gravura

1996/1998 - Rio de Janeiro RJ - Cria e organiza o 1º e 2º Salão Sesc Gravura, no Sesc Copacabana

1997 - Rio de Janeiro RJ - Professor do curso de reconhecimento das técnicas de gravação na Biblioteca Nacional

1997 - Rio de Janeiro RJ - Realiza palestra sobre História da Gravura no Brasil na mostra Litografias e Adjacências, no Sesc Tijuca

1999/2000 - Rio de Janeiro RJ - Professor de gravura em metal e xilografia no Sesc Tijuca

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

1997 - Rio de Janeiro RJ - Litografias e Adjacências, no Sesc Tijuca

EXPOSIÇÕES COLETIVAS

1977 - Rio de Janeiro RJ - Coletiva de Gravuras e Desenhos, na Galeria Macunaíma

1978 - Rio de Janeiro RJ - 2º Salão Carioca de Arte, na Galeria Rodrigo de Melo Franco de Andrade/Funarte - premiado

1978 - Vitória ES - 3º Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas, na Ufes

1980 - Niterói RJ - 4º Salão Comunitário de Artes Plásticas da UFF - menção especial

1980 - Rio de Janeiro RJ - 4º Salão Carioca de Arte - prêmio aquisição

1982 - Rio de Janeiro RJ - 6º Salão Carioca de Arte, no Rio Arte/Instituto Municipal de Arte e Cultura - premiado

1984 - Curitiba PR - 6ª Mostra de Gravura Cidade de Curitiba, no Museu da Gravura

1984 - Resende RJ - 12º Salão da Primavera, no MAM/Resende - menção especial

1988 - Rio de Janeiro RJ - 12º Salão Carioca de Arte - premiado

1988 - Rio de Janeiro RJ - Litografias Brasileiras/Norte-Americanas, no Ibeu Copacabana

1989 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Coletiva, na Solo Espaço de Arte

1997 - Rio de Janeiro RJ - 15 Anos de Gravura, na Oficina de Gravura Sesc Tijuca

1997 - Rio de Janeiro RJ - Universidarte I, na Universidade Estácio de Sá

1998 - Rio de Janeiro RJ - À Memória do Rio, no Sesc Copacabana

1998 - Rio de Janeiro RJ - Universidarte, na Universidade Estácio de Sá

1998 - Rio de Janeiro RJ - Litografia 200 Anos, na Galeria Sesc Copacabana

1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Circuito Sesc de Gravura, na Galeria Sesc São João do Meriti

1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Onde Se Aprende, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian

1999 - Rio de Janeiro RJ - Mostra Rio Gravura. Trajetória: 46 anos de ensino de gravura, na EAV/Parque Lage

1999 - Rio de Janeiro RJ - 15 Anos de Gravura, na Oficina de Gravura Sesc - Tijuca

EVENTOS ITAÚ CULTURAL

2000 - São Paulo SP - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural

2001 - Penápolis SP e Brasília DF - Investigações. A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural

 

CRÍTICA

TEXTOS CRÍTICOS

"Uma vez superado o trauma da abstração, as duas posições artísticas opostas mantiveram-se por um tempo em tensão: o figurativo chegou a fornecer o léxico às composições abstratas, tendo sido o céu o mais firme doador de nomes, constelações, estrelas, meteoros, a marcar nos títulos a nostalgia da figura. Recentemente, a abstração, que hoje não passa de gênero ao lado da figura, outro gênero, é tratada com indiferença nada olímpica, como em Edgar de Macedo Fonseca, que produz litografias ora no estilo abstrato, ora no estilo figurativo. Ainda que desenvolva os dois gêneros em seu conceito de séries de trabalhos gráficos, nos quais tem prevalecido a pedra, é notável em Edgar Fonseca uma terceira série desses, que às outras duas reúne. Pode-se, de relance, ora ver figuras em ação, ora, puros efeitos compositivos, de sorte que o espectador fica suspenso entre ambas as possibilidades, a demonstrar indiferença quanto à separação das duas: o que se exibe, aqui, é o gesto, destro na geração de ambivalências. "

Leon Kossovitch, Mayra Laudanna

GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende; design Rodney Schunck, Ricardo Ribenboim; fotografia da capa Romulo Fialdini. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. p. 23.

DEPOIMENTOS

"Eu entrei na Escola Nacional de Belas Artes em 1975 e, em 1976, já estava fazendo gravura; me desenvolvi rapidamente nas técnicas de gravura em metal e acabei me transformando em assistente do professor Adir Botelho, que, por sua vez, foi assistente do Goeldi, que foi um dos precursores do ensino de gravura da Enba. [. . . ] Eu comecei a produzir, paralelamente à gravura em metal, gravura em pedra [. . . ]. Comprei uma prensa e uma pedra, então montei o ateliê Grafo e [. . . ] um ano e meio depois, o Rubem Grilo veio trabalhar no ateliê. Eu dava aula de litografia e ele dava aula de xilogravura [. . . ]. Desenhei muito, aprendi o domínio da figura humana de uma maneira bem profunda, e venho utilizando a figura como elemento muito importante no meu trabalho. [. . . ] Estou o dia inteiro dentro de ateliê, então, isso acaba te empurrando para tentar muitas possibilidades, muitas experiências. [. . . ] Eu às vezes ouvia, quando era mais jovem: 'Ah! mas você faz figura e faz abstração, você está meio indefinido'. [. . . ] Eu sempre trabalho em séries [. . . ], eu pego um tema e faço três, quatro, cinco, dez, trinta trabalhos sobre aquele mesmo tema, assim dá tempo de você burilar, limpar, aprofundar [. . . ]. Meus trabalhos são todos seriados, tem a série do futebol, a série das cozinheiras, tem a série das funções essenciais, que tem O Ascensorista, que é em metal, O Porteiro do Prédio; a série dos bichos, a série erótica, que é a série das mulheres, dos nus; tem essa série das abstrações. [. . . ] Hoje em dia, às vezes, eu trabalho com figura, quando me dá vontade, às vezes, com abstração, sem nenhum problema. [. . . ] Nessa série dos abstratos, eu sentia necessidade de trabalhar com elementos da materialidade da gravura; acredito muito na gravura artesanal, porque com o desenvolvimento das técnicas eletrônicas, hoje em dia, você tem recursos para imagem [. . . ], que são as mídias eletrônicas, os xerox coloridos [. . . ], os transportes fotográficos; se você for brincar nessa área da imagem, a gravura e a litografia não têm muito espaço. O espaço delas está na característica que o material delas tem de próprio [. . . ]. O preto que a gravura tem, no metal e na lito nenhum nanquim, nenhuma pintura a óleo, principalmente sobre papel, vão ter. Então há essa característica da gravura artesanal, dessa coisa da materialidade, da raspagem na pedra, da incisão no metal [. . . ].
Essa série dos abstratos tem essa coisa de trabalhar com a linguagem própria e única da litografia: é a raspagem, é a tinta jogada e respingada, é o gesto, é o traçado do lápis litográfico, isso são coisas que só a litografia trabalhada dessa forma pode dar. [. . . ] Tem essa coisa de trabalhar a materialidade da gravura e tem essa coisa de trabalhar com a forma, com o movimento, com a textura, que são elementos exclusivamente plásticos, que obrigam o observador a pensar plasticamente [. . . ]. Como eu gosto de desenhar, desenhar em xilo é mais difícil. Tem aquela coisa artesanal, de ficar cortando a madeira, para você deixar o traço, olha a dificuldade para você fazer aquela figura central ali, você deixar o traço, igual o Rubem Grilo faz [. . . ]. Já transitei pela xilogravura, e gosto muito dela [. . . ], inclusive dessa experiência de estar diariamente dentro de ateliê, tem essa coisa de misturar as técnicas: pegar a cópia de xilogravura recém-tirada, fresquinha e carimbar na pedra e queimar como uma litografia e interferir no processo com a característica da gravura em madeira na pedra, aquele dom de iludir que a litografia tem, melhor do que qualquer outra das técnicas. "

Edgar M. Fonseca a Mayra Laudanna - 27 de maio de 2000

GRAVURA : arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende; design Rodney Schunck, Ricardo Ribenboim; fotografia da capa Romulo Fialdini. São Paulo : Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. p. 150

 

REFERÊNCIAS

FONTES DE PESQUISA

2º Salão Carioca de Arte. Rio de Janeiro, Galeria Rodrigo de Melo e Franco de Andrade/Funarte, 1978.

 

GRAVURA : arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende; design Rodney Schunck, Ricardo Ribenboim; fotografia da capa Romulo Fialdini. São Paulo : Itaú Cultural : Cosac & Naify, 2000. 270 p. il. color.

 

MOSTRA DE GRAVURA CIDADE DE CURITIBA (6. : 1984). VI Mostra de gravura Cidade de Curitiba : 1984 - Pan-Americana. Curadoria Orlando Dasilva; apresentação Carlos Frederico Marés de Souza Filho; texto Orlando Dasilva, Nello Ponente, Mario Schenberg, Frederico Morais, Lívio Abramo. Curitiba : Fundação Cultural de Curitiba, 1984. 127 p. il. p. b.

 

15 anos de gravura. Texto Ruy Sampaio. Rio de Janeiro: Oficina de gravura Sesc-Tijuca, 1999. folha dobrada il. color.

 

Coletiva de Gravuras e Desenhos. Rio de Janeiro, Galeria Macunaíma, 1977.

 

Mostra Rio Gravura: Circuito SESC de Gravura. Rio de Janeiro, SESC São João do Meriti, 1999.

 

MOSTRA Rio Gravura : catálogo geral dos eventos. Apresentação Luiz Paulo Fernandez Conde, Helena Severo, Rizza Paes F. Conde, Maria Julia Vieira Pinheiro; curadoria Rubem Grilo; texto Rubem Grilo, Paulo Sérgio Duarte, Agnaldo Farias, Wilson Coutinho; apresentação Maria Tornaghi, Leila Grimming; projeto gráfico Suzana Valladares, Julie Pires; revisão Soraya Araujo; tradução Stephen Berg; fotografia Antonio Caetano, César Barreto, Vera Voto, Marco Rodrigues, Arli Pacheco, Fátima Magalhães. Rio de Janeiro : Prefeitura Municipal, 1999. 231 p. il. p. b. color.

 

12º Salão da Primavera. Resende, MAM, 1984.

 

6º Salão Carioca de Arte. Rio de Janeiro, Rio Arte/Instituto Municipal de Arte e Cultura, 1982.

 

IV Salão Comunitário de Artes Plásticas da UFF. Niterói, UFF, 1980.

 

III Salão Nacional Universitário de Artes Plásticas. Vitória, UFES, 1978.

 

LITOGRAFIA : 200 anos. Copacabana : Sesc Copacabana, 1998. folha dobrada, s. il.

 

Mostra coletiva. Rio de Janeiro, Solo Espaço de Arte, 1989.

CONTATO

e-mail: edgarmacedo@discreteview.com

Espaço da Artes - Rio de Janeiro

anuncioyell2.gif (5488 bytes)

anuncioyell.gif (3156 bytes)

anuncioyell.gif (3156 bytes)