É
meramente uma questão de escolha:
para uns tem mais sabor a folha
do que as uvas;
calçam melhor algemas
do que luvas;
cultivam câncer
em vez de sanidade;
e, em chegando o momento do berro,
aferram-se ao sono
e na covardia emudecem,
renunciando ao dom da liberdade.
Sob o olhar lúbrico de seus donos,
entregam tudo,
a fronte descem,
lambendo, gratos como cães,
os pérfidos dedos de veludo
que mal disfarçam
a ignóbil mão-de-ferro.