OLHAR DISCRETO NA POESIA    1

Espelho, espelho meu!

(Noscere me ipsum)

 

Sobre a retina avança
ambígua e patética figura
refletida no limbo de cristal.
Contínua e inequívoca cobrança
de não sei que gesto ou postura,
além do Bem e do Mal,
que a resgate do enquadre frio
e óbvio da moldura
que a limita e entrega
à nulidade do animal perplexo,
que ruge, sangra e resfolega
na vítrea irrealidade cega, 
e quer saltar além da virtual
inércia do próprio vazio
e bidimensional reflexo.

---2006© Franklin Magalhaes--------------------------------------

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