Depois que em brumas te encantaste
só me restaram os densos cinzas
da paleta de cores de meu mundo fosco.
Do universo paralelo onde agora vives
conjuraste um clone meia-boca,
e eu, que nem um besta,
por milhares de anos não te percebi o engodo.
Por mirantes de orientais Empirestates,
praças de alimentação,
estações de metrô,
praias domingueiras
e redes sociais
em vão agora te persigo.
Adivinho-te na fresta do olhar viperino
das mil caras em que te dissolveste.
Quem sabe não te surpreendo o brilho esquivo
a qualquer momento
entre uma partícula subatômica e outra
do mais recente Nobel de física?
Ah!!! De nada mais te adianta a fuga:
meu coração já te vislumbra e desembesta!
Só te resta o armistício. Fiat Pax!
Afasta a fenestra em que te entocas,
depõe a seta da balestra tosca
e tasca uma bitoca aqui na minha boca!
Huuummmm!!!!
Coisa de louco!