OLHAR DISCRETO NA POESIA    1

Louca escapada


Depois que em brumas te encantaste
só me restaram os densos cinzas
da paleta de cores de meu mundo fosco.

Do universo paralelo onde agora vives
conjuraste um clone meia-boca,
e eu, que nem um besta,
por milhares de anos não te percebi o engodo.

Por mirantes de orientais Empirestates,
praças de alimentação,
estações de metrô,
praias domingueiras
e redes sociais
em vão agora te persigo. 

Adivinho-te na fresta do olhar viperino
das mil caras em que te dissolveste.
Quem sabe não te surpreendo o brilho esquivo 
a qualquer momento
entre uma partícula subatômica e outra
do mais recente Nobel de física?

Ah!!! De nada mais te adianta a fuga: 
meu coração já te vislumbra e desembesta!
Só te resta o armistício. Fiat Pax!
Afasta a fenestra em que te entocas,
depõe a seta da balestra tosca
e tasca uma bitoca aqui na minha boca!
Huuummmm!!!!
Coisa de louco!

---2011© Franklin Magalhaes--------------------------------------

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