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Síndrome
do ninho vazio?
Aquele era um momento único em minha vida.
Eu estava voltando para casa às duas horas da madrugada, sozinha, pensando na seriedade
daquele instante.
Acabara de sair da festa de casamento de minha filha caçula, última dos quatro filhos;
filhos que criei, preparei para a vida, com todo empenho de que fui capaz.
Entrei em casa pela varanda lateral, coloquei a chave na porta e tive certeza de não
estar solitária, como se espera que as mães fiquem ao verem seus filhos seguindo em
frente.
Ouvia um côro de anjos por ali... minha emoção era indescritível.
Chorei muito, agradecendo a Deus, por tudo que me fêz viver.
Ajoelhei-me no chão do quarto, que abrigava a jovem noiva, momentos antes. Sua branca e
delicada imagem ainda permanecia naquele lugar.
Passei a rever minha vida. Quantas etapas difíceis precisei vencer para, então,
experimentar aquela maravilhosa sensação de plenitude. Quanta coragem precisei ter para
romper os laços de um casamento que já não existia. Quanta força busquei dentro de mim
até descobrir qual era o meu caminho.
Queria ser lúcida para ser livre.
Livre para mudar; mudar de pensamento mudar de opinião, mudar de casa, mudar de emprego,
mudar de penteado, mudar de trajeto, mudar de cidade... sem culpa.
Aquele era o dia do meu Vestibular para entrar na Universidade da minha vida...
Passei!
Dayse Rizzo
Correspondência
para esta páginal: dayserizzo@discreteview.com
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