OLHAR DISCRETO NA POESIA    1

Meu pomar

Não colho mais as frutas de meu quintal,
deixo-as aos meus amigos passarinhos,
que m'as pagam enfeitando meu dia
com cantos matinais,
desfiles de plumagens e bicos
de discretos coloridos,
elaboradíssimas acrobacias aéreas,
pega-pegas com gaviões,
animadas discussões vespertinas
e, vez em quando,
elegantes danças nupciais.
Fartem-se, companheiros!
É praticamente de graça!
As frutas, não as colho mais, afinal,
sempre haverão de me sobrar alguns trocados
para as mangas, bananas d'água e os mamões papaia
do bem sortido sacolão da praça.
 

---2011© Franklin Magalhaes--------------------------------------

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