Cidade de São Sebastião É, meu bom Tião, velho guerreiro, ao ver certo tipo de gente que colonizou tua cidade, ao constatar que escória costuma aqui fazer leis em causa própria ou somente para descumpri-las, que administra o erário como se seu tesouro privado fosse; ao perceber os desmandos da chã autoridade e o abandono da coisa pública, das serras, rios, mares e florestas destas plagas que galhardamente defendeste, não te bate assim, lá no fundo, uma dúvida inquietante, tão dolorosa como as flechas cravadas em teu torso, uma incômoda sensação de que talvez tenhas feito uma infeliz escolha, ao usar teus dons de mártir e guerreiro e apoiado o lado errado da batalha? Ao ver tanta coisa errada, meu santo, campeão da Fé e da Justiça, não te corrói, vez em quando, o remorso?...
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