Dos ossos dos que morrem
de fome,
eu farei um clarim.
Da pele dos que morrem esfolados,
eu farei um tambor.
Um tambor e um clarim.
Assim,
mesmo depois de mortos,
os desamparados clamarão
contra a injustiça,
contra o egoísmo,
contra o desamor.
Clamarão contra ti,
que ficas impassível
vendo-os morrer.
Mas, tu que protestas,
eu sou teu irmão.
Unamos, pois, nossas forças!
Unamos, pois, nossas vozes!
No meio dos indiferentes
nós seremos inconformados,
nós faremos a denúncia.
Gritaremos com todas as nossas forças.
Gritaremos com todas as nossas vozes,
até que toda a Terra se encha de nosso clamor,
até que alguém nos ouça
e se una a nós.
Da pele e dos ossos
faremos tambor e clarim.
E, se por isso eu morrer
ou se tu morreres,
de nossa pele sejam feitos tambores,
de nossos ossos sejam feitos clarins.