OLHAR DISCRETO NA POESIA    1

Tambores & clarins        (English)

Dos ossos dos que morrem de fome, 
eu farei um clarim.
Da pele dos que morrem esfolados,
eu farei um tambor.
Um tambor e um clarim.
Assim,
mesmo depois de mortos,
os desamparados clamarão
contra a injustiça,
contra o egoísmo,
contra o desamor.
Clamarão contra ti,
que ficas impassível
vendo-os morrer.

Mas, tu que protestas,
eu sou teu irmão.
Unamos, pois, nossas forças!
Unamos, pois, nossas vozes!
No meio dos indiferentes
nós seremos inconformados,
nós faremos a denúncia.
Gritaremos com todas as nossas forças.
Gritaremos com todas as nossas vozes,
até que toda a Terra se encha de nosso clamor,
até que alguém nos ouça
e se una a nós.

Da pele e dos ossos faremos tambor e clarim.
E, se por isso eu morrer
ou se tu morreres,
de nossa pele sejam feitos tambores,
de nossos ossos sejam feitos clarins. 

---2006© Franklin Magalhaes--------------------------------------

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