Havia o rastro de cobra
na areia,
e aquele zumbido incessante
que a gente houve durante um silêncio
( não sei se de sangue correndo no corpo,
se angústia correndo na alma).
E havia o sol inclemente.
Vento não havia.
Nem movimento,
a não ser a reverberação sobre a areia.
Mas, movimento de verdade, nenhum.
Havia o calor também. Muito calor.
E o zumbido.
Horas a fio.
Aí a noite desceu.
Não a viu se aproximando.
Nenhum ruído. Nenhum
(talvez o zumbido fosse a noite chegando).
E havia o veneno dentro do corpo.
Então veio a febre.
Aí veio o frio.
E havia o zumbido dentro do silêncio...
(talvez fosse o veneno correndo...
fosse a vida fugindo...
fosse a morte chegando...)
Então ...
havia apenas o silêncio frio do deserto
sob o orvalho da mais brilhante lua cheia ....